quinta-feira, 13 de novembro de 2008

#4

pensamentos acerca da morte... alheia

Pensar na morte alheia é tão ruim quanto desejá-la ou efetivamente causá-la? Há diferenças, é claro, mas o fato de somente não matar tornaria menos pior? Se o pensamento existe, já basta para dita maldade estar em curso? Controlar instintos, dizem, é a diferença que carrega a humanidade. Mas só por que eles são controlados não significa que não existam ou não sejam reais. O que impede é a consciência do que não deve ser feito. Numa sociedade hipotética em que causar a morte de outrem não fosse crime, haveria vida em paz ou seria uma guerra, uma terra de ninguém, uma caça sanguinária? Pergunto-me se no momento em que Anúbis for comparar meu coração a uma pluma se ele estará pesado desses pensamentos...

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

#3

Eu sei que dia é hoje. Sim, é o seu aniversário, não pense que esqueci: eu nunca esqueço. Apesar de não ter calendário, lembro a data e a hora. Fica tudo guardado na minha mente, tatuado na retina como o brilho da luz verde de um relógio digital quando acordamos no meio da madrugada. Faz tempo que não confiro mais os dias - todos passam cinzentos e nublados. Desde que você não estava mais presente e deixou a casa vazia. A rotina é oca, os passos ressoam no assoalho. kParece que ainda ouço seu pigarro seco e o dedilhado no violão. O piano desafinou de abandono, as janelas estão de braços fechados, bloqueando o sol. Acredite, é melhor assim. A luz iluminaria a maldição da solitude. O vazio é o fim em si e esquece de terminar.

Mas sei que dia é hoje. Ainda não chegou a meia-noite. É sua data festiva. Que celebro em silêncio contido, em uma metonímia da dor.