Eu sei que dia é hoje. Sim, é o seu aniversário, não pense que esqueci: eu nunca esqueço. Apesar de não ter calendário, lembro a data e a hora. Fica tudo guardado na minha mente, tatuado na retina como o brilho da luz verde de um relógio digital quando acordamos no meio da madrugada. Faz tempo que não confiro mais os dias - todos passam cinzentos e nublados. Desde que você não estava mais presente e deixou a casa vazia. A rotina é oca, os passos ressoam no assoalho. kParece que ainda ouço seu pigarro seco e o dedilhado no violão. O piano desafinou de abandono, as janelas estão de braços fechados, bloqueando o sol. Acredite, é melhor assim. A luz iluminaria a maldição da solitude. O vazio é o fim em si e esquece de terminar.
Mas sei que dia é hoje. Ainda não chegou a meia-noite. É sua data festiva. Que celebro em silêncio contido, em uma metonímia da dor.
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